Meritocracia budista

dia de doar

O mês de novembro de 2015 foi marcado por duas grandes tragédias – uma em caráter internacional (o ataque terrorista do Estado Islâmico na França) e outra em âmbito nacional (o rompimento de barragens da mineradora Samarco, levando a um dos piores desastres ambientais da história).

Nesse momento de perdas irreparáveis – das vidas, da segurança de andar em paz nas ruas, das memórias, do meio ambiente, dos rios, nos damos conta da fragilidade da situação que vivemos, e paramos para pensar no que realmente importa aqui e agora.

Nossa busca incansável por desenvolvimento tem que finalidade, afinal? Nos desenvolvemos para ter mais qualidade de vida e recursos suficientes para vivermos mais e sermos felizes, certo? Pois parece que o plano não está funcionando. Acabamos por nos esquecer dos fins e nos concentramos nos meios, supervalorizando aquilo que chamamos de desenvolvimento.

É certo que a palavra desenvolvimento ganhou um sobrenome na última década: sustentável. Este sobrenome tão simples nos leva, nesse momento de tanta fragilidade, a fazermos escolhas. No caso da Samarco, ficou claro qual a escolha feita – pelo desenvolvimento, não pelo sustentável. Pelo lucro, não pelo cuidado. Pelo risco, não pela cautela. Pelo hoje, não pelo amanhã.

Mérito, segundo o budismo, é cuidar das pessoas e do planeta. Para os budistas, é merecedor de mérito aquele que cuida. Acho essa reflexão budista muito contemporânea e muito necessária para esse momento de encruzilhada que os seres humanos vivem. Será que não é chegada a hora de substituirmos o verbo desenvolver pelo verbo cuidar? Cuidar das pessoas e do planeta – existe algo mais fundamental do que isso? E se utilizássemos o conceito de meritocracia justamente para avaliar a capacidade das pessoas de cuidar?

Finalmente chegamos ao fim desse novembro negro. E logo no dia 1o. de dezembro celebramos o Dia de Doar que, numa interpretação livre, é uma espécie de Dia de Cuidar. Como diz Mario Sergio Cortella: “uma vida de fartura não é aquela que a gente tem em excesso. Fartura, abundância, é quando se tem o suficiente, sem carência. Uma vida simples é aquela em que há suficiente para mim e para outros.”

No futuro, quando soubermos valorizar o cuidar antes do desenvolver, o ato de doar será considerado um dos atos de maior valor na nossa experiência humana.

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