5 dados do Censo ABCR que todo captador precisa encarar

Análise Mobiliza · Censo ABCR 2025

O Censo ABCR 2025 é o retrato mais completo de quem trabalha com captação de recursos no Brasil. Realizada em parceria com a Conexão Captadoras, esta é a maior edição da série iniciada em 2011: 270 respondentes em 23 estados, com perguntas inéditas sobre saúde mental e diversidade.

O retrato que emerge é de uma profissão de meia-idade, majoritariamente feminina (2/3 são mulheres), altamente escolarizada (92% têm nível superior) e multitarefa: quem capta também elabora projetos, gere equipes e cuida das finanças. Raramente é função exclusiva.

Separamos os cinco dados do Censo ABCR 2025 que consideramos mais urgentes — e o que cada um deles cobra de quem lidera uma OSC.

1. Emendas parlamentares já estão no pódio das fontes

Perguntados sobre as fontes que mais usam, os captadores colocaram os editais de investimento social privado (56%) e os editais públicos (54%) no topo — nenhuma surpresa. A novidade vem logo depois: emendas parlamentares aparecem em 3º lugar, usadas por 45%, na primeira vez em que o Censo perguntou sobre elas. Estrear direto no pódio diz muito: o financiamento público via emenda deixou de ser tabu e virou estratégia consolidada.

2. O salário médio é R$ 8.320 — mas não para todo mundo

A remuneração média estimada de quem capta é de R$ 8.320. Só que a média esconde desigualdades que o setor precisa encarar: homens ganham 30% a mais que mulheres — num campo onde elas são 2/3 da força de trabalho e apenas 28% chegam à direção. E profissionais não-brancos ganham 18% menos e captam 47% menos volume, concentrados em organizações menores e com menos vínculo CLT. Um setor que trabalha por justiça social reproduzindo esses gaps internamente tem um problema de coerência — e de resultado.

3. Quem se capacita capta o dobro

Profissionais que passaram por capacitação captam em média R$ 11 milhões, contra R$ 4,9 milhões de quem não se capacitou. Quem passou pelo ecossistema ABCR chega a R$ 15,2 milhões. O Censo faz a ressalva honesta — profissionais mais estruturados também buscam mais formação —, mas o recado para gestores permanece: formação não é custo, é estratégia que fortalece a captação. E há um alerta territorial: o acesso à capacitação ainda se concentra em SP, deixando o resto do país com um mercado de formação subestruturado.

4. Ninguém capta sozinho

Captadores com suporte de uma área de Comunicação e Marketing captam 2× mais e ganham 1,5× mais. O padrão se repete conforme cresce o suporte interno — quem tem 3 ou mais áreas de apoio capta R$ 12,1 milhões em média; quem não tem nenhuma, R$ 640 mil. Montar uma área de captação sem comunicação integrada é desperdiçar potencial. Se a sua organização espera resultado de captação de uma pessoa isolada, o problema não é a pessoa.

5. O maior desafio está dentro de casa

Perguntados sobre seus maiores desafios, os captadores não apontaram o cenário econômico nem a concorrência por recursos. O desafio nº 1, citado por 30%, é interno: a captação não é vista como estratégica pela própria organização. Na sequência vêm falta de tempo (27%) e falta de recursos para investir na área (27%). O custo humano aparece no dado mais duro da edição: 48% sentem impacto negativo na saúde mental por causa do trabalho — 13% de forma grave e constante. Captadores pressionados por resultado, sem estrutura, sem apoio da alta gestão: a conta fecha na saúde de quem capta.

O que fazer com os dados do Censo ABCR 2025

O Censo ABCR 2025 confirma uma tese que defendemos há mais de 10 anos: captação de recursos é função estratégica — e precisa ser tratada como tal, com remuneração digna, estrutura de suporte, investimento em formação e lugar na mesa de decisão. Os dados mostram que as organizações que fazem isso captam mais. As que não fazem pagam o preço em recurso perdido e em pessoas esgotadas.

Se a sua organização quer transformar a captação em prioridade estratégica, é dessa conversa que a Mobiliza participa todos os dias. Fale com a Mobiliza.

Fonte: Censo ABCR 2025 — 5ª edição, realizada pela ABCR em parceria com a Conexão Captadoras. Dados coletados entre abril e maio de 2025, com 270 respondentes em 23 estados.